Psicologia · Saúde Mental do Idoso

Francisco Martins

Psicólogo · Psicogeriatria, Gerontologia & Cuidado Integral ao Idoso

Psicólogo em formação de pós-graduação em Saúde Mental do Idoso pela UFRJ, construindo minha trajetória na interseção entre clínica, humanização do cuidado e escuta qualificada — com experiência em Atenção Primária (SUS/ESF), plantão psicológico e suporte a pessoas neurodivergentes.

Sobre mim

Escuta qualificada, formada na prática.

Sou psicólogo com foco em saúde mental do idoso, construindo minha trajetória na interseção entre clínica, humanização do cuidado e escuta qualificada. Atualmente curso Pós-Graduação em Saúde Mental do Idoso pela UFRJ, com extensão em Psiquiatria e Saúde Mental — formação que direciono para atuação em Psicogeriatria, Gerontologia e cuidado integral ao idoso em contextos clínicos e institucionais.

Tenho experiência com aplicação e interpretação de escalas e instrumentos psicológicos (MoCA, MEEM, Katz, GDS, Pfeffer, TIG-NV, entre outros) e de qualidade de vida, facilitação de oficinas sobre ansiedade, estresse e depressão, psicoeducação, e atuação em equipes interdisciplinares. Complemento minha prática clínica com 10 anos de experiência em atendimento humanizado — o que me deu escuta ativa, inteligência emocional e comunicação empática como habilidades de base, não como teoria.

Sou voluntário ativo em projetos sociais e participante de congressos sobre saúde mental e luto — espaços que mantenho como parte contínua da minha formação e do meu compromisso com o cuidado.

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Projetos & iniciativas

O que venho construindo

Blog de Saúde Mental do Idoso

Site editorial próprio, publicado via GitHub Pages, dedicado a psicoeducação sobre demências, prevenção e novidades em pesquisa — escrito para pacientes, famílias e cuidadores entenderem o tema com profundidade e sem alarmismo.

Psicoterapia & Avaliação Clínica

Atendimento psicoterapêutico individual e avaliação de pacientes com suspeita de demência ou outros transtornos mentais, com uso de escalas e instrumentos psicológicos (MoCA, MEEM, Katz, GDS, Pfeffer, TIG-NV) para apoiar diagnóstico, acompanhamento e orientação à família.

Oficinas de Psicoeducação

Facilitação de oficinas em grupo sobre ansiedade, estresse e depressão, com foco em linguagem acessível e trabalho conjunto com equipes multiprofissionais em contextos de Atenção Primária.

Blog

Textos sobre saúde mental do idoso

Três textos para começar a conversa. Clique em cada um para ler na íntegra.

Psicoeducação

As principais demências: entendendo as diferenças

Demência não é uma doença única, mas um grupo de condições. Entenda as diferenças entre Alzheimer, demência vascular, corpos de Lewy e frontotemporal.

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Uma dúvida muito comum que ouço de famílias é: "afinal, demência e Alzheimer são a mesma coisa?" A resposta curta é não. Demência é um termo guarda-chuva que descreve um conjunto de sintomas — perda progressiva de memória, linguagem, raciocínio ou comportamento, suficiente para atrapalhar a vida diária. O Alzheimer é a causa mais comum de demência, mas existem outros tipos, cada um com características, evolução e manejo diferentes.

Conhecer essas diferenças ajuda a família a entender o que esperar, e ajuda o profissional a direcionar a avaliação e o cuidado.

Doença de Alzheimer

É a causa mais frequente de demência. Costuma começar de forma sutil, com esquecimentos de fatos recentes, repetição de perguntas e dificuldade para aprender informações novas — enquanto memórias antigas ficam preservadas por mais tempo. Com a progressão, aparecem dificuldades de linguagem, orientação espacial e, em fases mais avançadas, para realizar atividades básicas do dia a dia.

Demência vascular

Está ligada a lesões nos vasos sanguíneos do cérebro — por exemplo, após um ou mais AVCs, ou por dano progressivo de pequenos vasos. Diferente do Alzheimer, o início pode ser mais abrupto, e a evolução costuma acontecer "em degraus": períodos de estabilidade intercalados com pioras associadas a novos eventos vasculares. É comum que apareça junto com Alzheimer, no que se chama demência mista.

Demência com corpos de Lewy

Além do declínio cognitivo, esse tipo se caracteriza por flutuações importantes na atenção e no estado de alerta ao longo do mesmo dia, alucinações visuais bem formadas e sintomas motores parecidos com os do Parkinson, como rigidez e lentidão. É particularmente sensível a certos medicamentos, o que exige cuidado redobrado na hora de prescrever.

Demência frontotemporal

Diferente das demais, costuma começar mais cedo (entre os 45 e 65 anos) e afeta primeiro o comportamento e a personalidade — ou a linguagem — antes da memória. Mudanças como desinibição, apatia, perda de empatia ou dificuldade para encontrar palavras costumam ser os primeiros sinais notados pela família, o que muitas vezes atrasa o diagnóstico correto, pois pode ser confundida com quadros psiquiátricos.

Por que essa diferenciação importa

O diagnóstico diferencial orienta o plano de cuidado: o manejo de alucinações na demência com corpos de Lewy é diferente do manejo da apatia na frontotemporal, que por sua vez é diferente da reabilitação após um AVC na demência vascular. Por isso a avaliação neuropsicológica, com instrumentos como MoCA, MEEM, e escalas funcionais como Katz e Pfeffer, é uma etapa importante — ela não serve apenas para "confirmar" que há um problema, mas para entender qual é o perfil de dificuldades e forças daquela pessoa específica.

Se você percebeu mudanças de memória, comportamento ou linguagem em alguém que ama, o primeiro passo é buscar uma avaliação especializada. Quanto mais cedo o quadro é investigado, mais opções de manejo — e de qualidade de vida — ficam disponíveis.

Prevenção

Prevenção da demência: o que a ciência já sabe funcionar

Quase metade dos casos de demência está ligada a fatores de risco modificáveis. Conheça as práticas com maior respaldo científico para reduzir o risco.

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Uma das perguntas que mais recebo em consultório e em rodas de conversa é: "dá para prevenir demência?" A boa notícia, respaldada por evidências robustas, é que sim — em boa parte.

Em 2024, a Comissão Permanente da revista The Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados em Demência atualizou sua análise e chegou a um número importante: até 45% dos casos de demência no mundo estão associados a 14 fatores de risco modificáveis ao longo da vida — ou seja, fatores sobre os quais é possível agir, individual e coletivamente. Isso não significa que a demência sempre seja evitável, mas que o risco pode, em muitos casos, ser reduzido ou a doença, retardada.

Os 14 fatores, agrupados por fase da vida

Na infância e juventude: baixa escolaridade — o acesso a educação de qualidade cedo na vida é, isoladamente, um dos fatores de maior peso.

Na vida adulta: perda auditiva não tratada, traumatismo cranioencefálico, hipertensão arterial, consumo excessivo de álcool, obesidade, tabagismo.

Na velhice: depressão, isolamento social, sedentarismo, diabetes, poluição do ar, perda de visão não corrigida e colesterol LDL elevado (estes dois últimos incluídos em 2024).

Entre todos, a deficiência auditiva não tratada e o colesterol LDL elevado aparecem entre os que mais pesam isoladamente na proporção de casos, junto com baixa escolaridade na juventude e isolamento social na velhice.

O que isso significa na prática

  • Tratar a perda auditiva — usar aparelho auditivo quando indicado parece proteger a cognição, possivelmente por manter o cérebro estimulado e a pessoa engajada socialmente.
  • Manter a pressão arterial e o colesterol controlados, com acompanhamento médico regular.
  • Manter-se socialmente ativo — vínculos, conversas e participação em grupos parecem ser protetores, não apenas agradáveis.
  • Praticar atividade física regular, compatível com a idade e a condição de saúde de cada pessoa.
  • Cuidar da saúde emocional, buscando tratamento adequado para depressão, em vez de naturalizá-la como "coisa da idade".
  • Proteger a cabeça em atividades de risco de traumatismo, e corrigir problemas de visão.

Um ponto importante: nunca é cedo, nem tarde, demais

A prevenção não é só uma pauta para os 60 ou 70 anos. Ela começa na infância, com o acesso à educação, e continua em cada década da vida. Ao mesmo tempo, mesmo pessoas mais velhas se beneficiam de intervenções — nunca é tarde para começar a cuidar da audição, da pressão ou dos vínculos sociais.

Prevenção, aqui, não é sobre culpa individual. É sobre política pública, acesso a saúde e educação, e também sobre pequenas decisões diárias que, somadas ao longo de uma vida, fazem diferença real.

Pesquisa

Avanços recentes na pesquisa sobre demências

Biomarcadores no sangue, novos medicamentos modificadores da doença e uma mudança de mentalidade sobre prevenção: um panorama dos avanços mais recentes.

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Acompanhar a literatura científica sobre demências é, ao mesmo tempo, animador e desafiador: os avanços têm sido rápidos, mas nem sempre chegam de forma clara ao público. Reúno aqui um panorama de três frentes que considero as mais relevantes agora.

1. Biomarcadores no sangue

Até pouco tempo, confirmar a presença de proteínas associadas ao Alzheimer exigia exames mais invasivos ou de acesso limitado, como punção lombar ou PET amiloide. Nos últimos tempos, os estudos sobre biomarcadores plasmáticos avançaram de forma significativa, abrindo caminho para um diagnóstico mais precoce, acessível e menos invasivo — especialmente relevante porque muitos dos tratamentos mais recentes só funcionam se aplicados nas fases iniciais da doença.

2. Uma nova geração de tratamentos medicamentosos

Historicamente, os medicamentos disponíveis para Alzheimer atuavam apenas sobre os sintomas, melhorando a neurotransmissão colinérgica ou modulando o glutamato, sem interferir na progressão biológica da doença — com benefícios tendendo a ser temporários e limitados, principalmente nas fases mais avançadas.

O cenário vem mudando com a chegada de uma nova classe de medicamentos, os chamados modificadores da doença, que atuam diretamente sobre a patologia amiloide. O donanemabe foi aprovado pela Anvisa em 2025, e o lecanemabe tem chegada prevista ao Brasil em 2026, consolidando pela primeira vez a disponibilidade de duas terapias desse tipo no país.

É importante frisar as limitações: esses medicamentos só fazem sentido em estágios iniciais — comprometimento cognitivo leve ou demência leve — e exigem confirmação da patologia por biomarcadores. Também exigem monitoramento de efeitos adversos específicos, associados ao próprio mecanismo de ação da droga (conhecidos pela sigla ARIA). Por isso, a pergunta relevante já não é apenas "temos novos medicamentos?", mas se os sistemas de saúde estão preparados para usá-los com segurança.

3. A prevenção deixou de ser dúvida

Talvez a mudança mais importante não seja um medicamento, mas uma mudança de mentalidade: a prevenção deixou de ser uma dúvida — hoje se sabe que ela é possível. Isso vem sendo tratado como parte central do que se chama de "revoluções" no cuidado em Alzheimer: mudanças de paradigma que atravessam diagnóstico, prevenção, tratamento, gestão do cuidado e políticas públicas.

O que isso significa para quem cuida

Para pacientes e famílias, esses avanços se traduzem em três mensagens práticas: buscar avaliação diagnóstica precocemente, entender que nem todo tratamento novo é indicado para todas as fases da doença, e não perder de vista que prevenção e cuidado humanizado seguem sendo, e provavelmente continuarão sendo, tão relevantes quanto qualquer nova droga.

Nova área do blog

BBREAD — Banco Brasileiro de Estratégias Adaptativas no Cuidado da Pessoa com Demência

O cuidado diário de uma pessoa com demência costuma esbarrar nas mesmas dificuldades práticas — banho, idas ao banheiro, comunicação, segurança em casa. As grandes diretrizes internacionais já reúnem décadas de evidência sobre o que costuma funcionar, mas estão em inglês e espalhadas por vários sites. O BBREAD nasce para trazer esse conhecimento para o português, resumido e organizado, como ponto de partida para cuidadores — familiares ou profissionais — buscarem ideias concretas do que tentar. Como um pão saindo do forno, são ideias fresquinhas, prontas para usar. Não substitui orientação individualizada de um profissional de saúde, mas ajuda a chegar nessa conversa com mais repertório.

Reino Unido · NICE

NICE NG97 — Avaliação, manejo e apoio na demência

A diretriz clínica britânica mais abrangente sobre demência, base para temas como comunicação, banho, segurança, estimulação cognitiva e apoio ao cuidador.

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Publicada pelo National Institute for Health and Care Excellence (NICE), a NG97 orienta serviços de saúde britânicos, mas funciona como uma referência internacional por reunir, num único documento, recomendações sobre praticamente todo o percurso de cuidado.

  • Cuidado centrado na pessoa: a diretriz recomenda encorajar e permitir que a pessoa com demência expresse suas próprias opiniões sobre seu cuidado, usando formas de comunicação adaptadas — como recursos visuais ou linguagem simplificada — quando necessário.
  • Diagnóstico: avaliação inicial cuidadosa (história clínica, exame físico, exames para descartar causas reversíveis) seguida de testes cognitivos validados antes de qualquer encaminhamento a serviços especializados, como clínicas de memória.
  • Coordenação de cuidado: cada pessoa deve ter um profissional responsável por organizar seu cuidado e um plano revisado periodicamente com a família.
  • Estimulação e bem-estar: oferecer atividades sob medida das preferências da pessoa, terapia de estimulação cognitiva em grupo para casos leves a moderados, e considerar terapia de reminiscência e reabilitação/terapia ocupacional para sustentar a funcionalidade no dia a dia.
  • Sintomas comportamentais: antes de iniciar qualquer tratamento para agitação ou sofrimento, a diretriz recomenda investigar possíveis causas — como dor, delirium ou cuidado inadequado — e priorizar intervenções psicossociais e ambientais; antipsicóticos só devem ser considerados diante de risco real de dano, na menor dose e pelo menor tempo possível.
  • Apoio ao cuidador: recomenda oferecer aos cuidadores um programa de psicoeducação e treinamento de habilidades — incluindo entender a demência, desenvolver estratégias personalizadas, adaptar a comunicação e cuidar da própria saúde física e emocional, reconhecendo que cuidadores têm risco aumentado de depressão.
  • Treinamento de equipes: toda equipe envolvida no cuidado deve ser treinada em cuidado centrado na pessoa e em como reduzir o uso de contenção física e de antipsicóticos.
OMS · Ficha Informativa

OMS — Ficha informativa sobre demência

Panorama global: epidemiologia, impacto econômico, direitos humanos e a importância do cuidador — uma boa porta de entrada ao tema.

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A ficha da Organização Mundial da Saúde (OMS) reúne os números e conceitos-chave que costumam abrir qualquer material educativo sobre demência.

  • Escala do problema: em 2021, 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo, mais de 60% delas em países de baixa e média renda, com quase 10 milhões de novos casos por ano; o Alzheimer é a forma mais comum, respondendo por 60% a 70% dos casos.
  • Impacto: a demência é hoje a sétima causa de morte no mundo e uma das principais causas de incapacidade e dependência entre idosos. Em 2019, custou US$ 1,3 trilhão à economia global, cerca de metade proveniente do cuidado informal prestado por familiares, que dedicam em média 5 horas por dia a essa tarefa.
  • Recorte de gênero: mulheres são desproporcionalmente afetadas — têm maior mortalidade e perda de anos de vida saudável por causa da demência, mas também respondem por 70% das horas de cuidado prestadas a quem vive com a condição.
  • Sinais precoces: esquecer fatos recentes, perder objetos, desorientar-se mesmo em lugares familiares, dificuldade para resolver problemas ou encontrar palavras — às vezes precedidos por mudanças de humor e comportamento.
  • Tratamento e cuidado: não há cura, mas intervenções não farmacológicas — reabilitação, psicoeducação, atividade física, engajamento social, estimulação cognitiva e apoio ao cuidador — melhoram qualidade de vida e funcionalidade.
  • Direitos humanos: em muitos países, contenções físicas e químicas ainda são usadas de forma extensiva em instituições de longa permanência, mesmo onde já existem regulamentações para proteger a liberdade e a escolha das pessoas.
  • iSupport: a OMS mantém o iSupport, um programa gratuito de autoajuda online com habilidades práticas e treinamento para cuidadores.
OMS · Diretriz de Prevenção

OMS — Diretrizes de redução de risco de declínio cognitivo e demência

A atualização de 2026: até 45% do risco de demência pode ser evitado ou adiado com ações concretas ao longo da vida.

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Esta é a segunda edição das diretrizes da OMS sobre redução de risco de declínio cognitivo e demência, atualizada em julho de 2026 com base em evidências acumuladas desde a primeira versão, de 2019.

  • O número central: até 45% do risco de demência pode ser atribuído a fatores modificáveis, como tabagismo, uso nocivo de álcool, isolamento social, inatividade física, poluição do ar e doenças não transmissíveis, incluindo hipertensão e diabetes.
  • Comportamentos recomendados: treinamento e estimulação cognitiva, engajamento em atividades sociais (especialmente para pessoas com cognição normal ou comprometimento leve), aumento da atividade física, cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool e adoção de alimentação saudável.
  • Novidade desta edição: uma recomendação inédita para reduzir a exposição à poluição do ar como estratégia de proteção cognitiva.
  • Condições de saúde: o manejo de hipertensão, diabetes e colesterol alto também ajuda a reduzir o risco de demência, e o uso de aparelhos auditivos pode ser oferecido como parte da estratégia.
  • O que não é recomendado: a OMS não recomenda suplementação de vitaminas B e E, ômega-3 ou multivitamínicos na ausência de deficiência diagnosticada, por falta de evidência de benefício que supere possíveis riscos.
  • Mensagem de fundo: reduzir o risco de demência exige tanto ação individual quanto políticas públicas e sistemas de saúde que sustentem essas mudanças ao longo da vida.
EUA · Alzheimer's Association

Alzheimer's Association — Cuidados Diários (visão geral)

O maior acervo prático do mundo voltado a cuidadores, organizado por tema: alimentação, banho, comunicação, segurança, medicação e mais.

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Este portal da Alzheimer's Association funciona como um índice temático para o cuidado do dia a dia, reunindo guias específicos sobre reminiscência, plano de cuidado diário, atividades, comunicação, alimentação, arte e música, incontinência, banho, vestir-se e cuidados de aparência, saúde bucal, tratamentos, como se preparar para consultas médicas e segurança de medicamentos.

A premissa central é que, com criatividade e habilidades de cuidado, rotinas e atividades podem — e devem — ser adaptadas conforme as necessidades da pessoa mudam. Não existe fórmula única: encontrar o que funciona costuma ser um processo de tentativa e ajuste, apoiado pela troca de experiências com outros cuidadores. Os dois guias mais aprofundados deste portal — banho e incontinência — estão resumidos a seguir.

EUA · Alzheimer's Association

Alzheimer's Association — Banho

Por que o banho costuma ser um dos momentos mais difíceis do cuidado — e estratégias concretas para tornar essa hora mais segura e tranquila.

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O banho é frequentemente citado como um dos momentos mais desafiadores do cuidado diário. Pessoas com Alzheimer podem sentir vergonha ao receber ajuda numa atividade tão íntima, ter dificuldades de percepção de profundidade que tornam assustador entrar na água, ou simplesmente não perceber a necessidade de tomar banho — reações que podem se manifestar como resistência verbal ou física.

Antes do banho

  • Reunir toalhas grandes, sabonete, shampoo e banco de banho antes de avisar a pessoa.
  • Aquecer o ambiente e forrar superfícies frias com toalhas.
  • Deixar tudo ao alcance da mão; usar um pano para proteger os olhos do shampoo.
  • Sempre checar a temperatura da água, mesmo que a pessoa diga já ter feito isso.
  • Instalar tapete antiderrapante, barras de apoio e assento na banheira/chuveiro para segurança.

Durante o banho — dar sensação de controle

  • Oferecer escolhas simples: "agora ou daqui a 15 minutos?", "banho de banheira ou chuveiro?".
  • Encher a banheira com pouca água e observar a reação da pessoa antes de continuar.
  • Dar um papel à pessoa no processo — segurar a esponja ou o frasco de shampoo.
  • Proteger a dignidade cobrindo com uma toalha ao despir, e considerar ajuda de alguém do mesmo sexo, se isso trouxer mais conforto.
  • Ter uma distração pronta (música, canto) caso a pessoa fique agitada.

Adaptando o processo

  • Manter o banho no mesmo horário a que a pessoa está habituada.
  • Usar frases curtas e sequenciais: "põe o pé na banheira", "senta", "aqui está o sabonete".
  • Técnica do "observe-me": demonstrar a ação e, se necessário, guiar gentilmente a mão da pessoa.

Alternativas ao banho completo

  • Banho de toalha, com produtos sem enxágue e panos mornos — pesquisas mostram que, quando usado de forma regular e correta, esse método é igualmente eficaz ao banho tradicional.
  • Lavar uma parte do corpo por dia da semana, ou lavar o cabelo em outro momento.
  • Considerar apoio de um cuidador treinado para essa tarefa específica.

Depois do banho

  • Verificar a pele em busca de assaduras, especialmente em casos de incontinência.
  • Secar bem, sem esfregar — inclusive entre os dedos dos pés.
  • Hidratar a pele e usar amido de milho ou talco em dobras de pele.
EUA · Alzheimer's Association

Alzheimer's Association — Incontinência

Causas comuns e estratégias para lidar com a perda de controle da bexiga e do intestino preservando a dignidade da pessoa cuidada.

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A incontinência é comum nas fases intermediária e avançada do Alzheimer, e pode ter várias causas: incapacidade de reconhecer a necessidade de ir ao banheiro, dificuldade para localizá-lo, ou efeitos colaterais de medicamentos. Antes de qualquer estratégia, vale investigar com um médico causas tratáveis — infecção urinária, prisão de ventre, problemas de próstata, diabetes, AVC ou doenças musculares — e evitar restringir líquidos, já que isso pode causar desidratação e piorar o quadro.

Compreensão e dignidade

Tratar acidentes com naturalidade ("qualquer um pode ter um acidente", em vez de repreender) e respeitar ao máximo a privacidade da pessoa.

Comunicação

  • Observar sinais não verbais — inquietação, sons ou caretas incomuns, andar de um lado para o outro, silêncio súbito.
  • Aprender as "palavras-gatilho" da pessoa: às vezes ela usa expressões sem relação aparente com o banheiro para indicar essa necessidade.
  • Lembrar a pessoa em intervalos regulares — por exemplo, a cada duas horas.

Facilitar o acesso ao banheiro

  • Manter a porta aberta com o vaso sanitário visível, ou colocar uma figura de vaso na porta.
  • Pintar a porta do banheiro numa cor que contraste com a parede.
  • Instalar barras de apoio e luzes noturnas; considerar comadre ou urinol portátil no quarto.
  • Remover objetos (como cestos de lixo) que possam ser confundidos com o vaso.

Planejamento e ajustes práticos

  • Observar a rotina natural da pessoa e levá-la ao banheiro pouco antes do horário habitual (ao acordar, após refeições, antes de dormir).
  • Escolher roupas fáceis de tirar; considerar roupas íntimas absorventes quando necessário.
  • Usar capas impermeáveis no colchão.
  • Dar sempre tempo suficiente para a pessoa esvaziar bexiga e intestino.
EUA · National Institute on Aging

NIA — Cuidados com Alzheimer: banho, vestir-se e aparência

O instituto governamental de pesquisa sobre envelhecimento dos EUA detalha, passo a passo, como apoiar tarefas que antes eram privadas.

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O National Institute on Aging (NIA), órgão do NIH (Institutos Nacionais de Saúde dos EUA), mantém um portal amplo sobre cuidado no Alzheimer, cobrindo também adaptação de atividades, autocuidado do cuidador, cuidados de longo prazo, fase final da doença, problemas médicos comuns, como conseguir ajuda, dicas de refeições e preparo para idas ao hospital. O guia sobre banho, vestir-se e aparência traz orientações bem concretas:

Banho

  • Reunir os suprimentos antes e deixar o ambiente convidativo — aquecido, com música suave se ajudar a relaxar.
  • Ser direto ("agora é hora do banho"), mas oferecer escolhas se houver resistência.
  • Durante o banho, explicar cada passo antes de fazê-lo e começar pelas mãos e pés — áreas menos ameaçadoras — antes do rosto e da cabeça.
  • Cobrir ombros ou colo com uma toalha para reduzir a sensação de exposição.
  • Nunca deixar a pessoa sozinha na banheira ou no chuveiro.
  • Depois, secar bem, verificar assaduras e, em caso de incontinência, usar pomada protetora.

Vestir-se

  • Dispor as roupas na ordem em que devem ser vestidas.
  • Entregar uma peça de cada vez ou dar instruções passo a passo.
  • Manter apenas uma ou duas opções disponíveis no guarda-roupa, para reduzir decisões.
  • Priorizar roupas confortáveis e fáceis de vestir — elástico em vez de botão, velcro em vez de cadarço.

Cuidados de aparência

  • Manter hábitos antigos (maquiagem, barba) sempre que possível, usando barbeador elétrico por segurança.
  • Levar para cortar o cabelo regularmente; considerar profissionais que atendem em domicílio.
  • Orientar a escovação dos dentes passo a passo, com escova infantil se houver resistência, e manter acompanhamento odontológico regular — inclusive odontologia móvel, quando disponível.

Trajetória

Experiência profissional

  • Estágio clínico · Atenção Primária à Saúde (SUS / ESF)

    Atendimento e acolhimento em rede

    Atendimentos individuais, acolhimento e articulação com equipes multiprofissionais da Estratégia de Saúde da Família.

  • Estágio clínico · Plantão Psicológico

    Manejo de crises e intervenção breve

    Escuta e intervenção em situações de sofrimento psíquico agudo.

  • Infraero

    Suporte a pessoas neurodivergentes

    Acompanhamento psicológico e mediação em ambiente aeroportuário.

  • Trajetória complementar · 10 anos

    Atendimento humanizado & Experiência do Cliente

    Atuação em CX e suporte (incluindo White Martins, Sephora, Hurb, Revvo e Gupy), base prática para escuta ativa, inteligência emocional e comunicação empática.

Contato

Vamos conversar.

Se você busca um psicólogo comprometido com cuidado integral, humanização e saúde mental do idoso — ou se é familiar de uma pessoa idosa e tem dúvidas sobre como buscar apoio — escreva para mim.